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terça-feira, 25 de março de 2014

BARRO BATIDO, por José Carlos Malafaia Ferreira


Li ANGÚSTIA há muitos anos, ainda na pré-adolescência e costumo revisitar essa obra que sempre me delicia e assombra. A escrita envolvente de Graciliano Ramos, suas personagens complexas, ricas, vivas. Mas tem um recorte que sempre faço e que justifica (também) a fidelidade que tenho com essa escritura. É no momento em que seu protagonista diz:  “Quanto mais me aproximo de Bebedouro, mais remoço”. E não por ser o bairro da minha infância, das lembranças, mas por saber que sou do mesmo barro ali revolvido, que estrume, saliva, folhas, pelos,  pele, eu, outros, não apenas caminhamos naquele tecido, a ele nos misturamos e nos resultamos. Quando Graciliano retornou ao bairro na personagem de Luís da Silva e remoça também, com ele eu fui, vou a cada vez que releio e me angustio naquela peleja de vida. Dela me faço parte.


Um comentário:

  1. Só conhecendo o sertão,a sede e a fome para saber o quanto é dificil sobreviver e vencer.

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