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terça-feira, 25 de março de 2014

Véu

Por Sarah Afonso



Insondável lampejo de vida
Mergulhava no segundo fecundo
Onde a minha alma atravessava
Portal de extensões divinas
Atravessando o rio do intocável
A mente ciente de eras
Desprendia-se na travessia  
Túnel da grande mãe 
Vibrava ligada a ela
centro de seu corpo
Exprimia-me entre suas tensões
Emoções e respirações
Ensinando-me a sentir
Gravidade 
Grávida 
Idade a me receber 
Sob o firmamento tênue
De universos vastos
Nasci
Da água para a terra
Deserto
Tocando a pele do mundo
Áspera areia de ossos
Tesouros naturais de templos cavernosos
Manipulando suas formas
Construindo muros, pontes, colunas, altares, caminhos
Respostas prontas
Instruíram-me e a outros instruí
Trancando-me entre articulações retraídas 
Cópias que existem sem viver
Imune
Sucumbida ao tédio da verdade
Duvidei
Atenta
Dúvida, sentidos, tempo, espaço
Transformavam-me
Mutável
Sopro divino
A música dos anjos
A casa do espirito 
Morada sem fim
Cobriram-me com o manto da ética 
Véu das percepções e da estética
Ver, tocar, dizer e ouvir
Sem os limites do plano
Jamais dada a verdade 
Despertei o inconsciente
Resgatando do profundo 
Os segredos do sentir
Encontro marcado
Com o dom de pensar
Por si
Presentes da terra
Cessando no vasto oceano revolto
Os ventos do medo
Esperanças e temores
Vida
Enfim
Procurando fora
Encontrei em mim 

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