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terça-feira, 25 de março de 2014

Experiência Estética Particular

Por 

Isabela Lazarini



Sempre tive uma relação íntima com materiais artísticos, principalmente com a tinta. Fosse guache, plástica, acrílica ou de pintar parede estava eu lá sujando minhas mãos. A vontade de me encharcar de cores e texturas sempre ultrapassou o limite das mãos e braços, queria mesmo era pintar o corpo todo e ir desenhando com ele por aí. Minhas roupas sempre sofreram com esse meu descontrole, admito.


 Eis que surge uma oportunidade de tornar esses meus impulsos uma coisa séria. Para a matéria de história da arte II precisávamos fazer uma obra visual, com qualquer tipo de técnica e referência. Sugeri - como uma brincadeira- de fazermos um quadro com a impressão dos nossos corpos sujos de tinta durante um ato sexual. Houve toda uma argumentação sobre o que estávamos querendo discutir com aquilo. Mas a ideia de me sujar de tinha em pleno prazer, era de longe o ápice da minha intimidade com a tinta, e tudo o que de artístico estaria ali envolvido. 

 Confesso que não foi tão simples como imaginei. A discussão que gera sobre uma mulher querer fazer sexo e usar o resultado disso como arte é realmente controversa, dado nosso contexto social machista e conservador. Fora o fato de eu ser uma mulher solteira. 

Mas toda desavença, preconceito e olhares tortos desapareceram quando havia eu, alguém, muita tinta e um lençol pronto para receber minhas pinceladas. Foi lindo. Havia música em cada mancha. Era a mistura de todos os desenhos guardados dentro da minha pele. Foi como deixar com que arte pertencesse ao meu corpo, e deixasse fluir.

 Ao mesmo tempo em que foi corpo, tinta e lençol, foi mais que isso. Foi experiência gravada na alma, fui "Além da pele" - nome que intitulamos o trabalho -, e que no fim discutia mais sobre a repressão sexual feminina do que minhas “pirações” particulares.


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