Por Renata Quintieri
Minha experiência estética é uma mentira.
Assim como quando eu andei em uma rua que não conheço e
quando jantei com meus inimigos e comemos carne. É um sonho.
São Paulo tem dessas coisas: de ser real e paradoxalmente
impossível. Mas, no meu sonho, não tem figuras que me difamam, nem fantasmas
espaçosos que cortam o ventre por dinheiro. Essa estética não surgiu de cores,
nem de lugares; mas de gente. Um dia me apaixonei pela vontade de te magoar.
Por ver tantas pessoas em um só lugar, se empurrando e roubando o ar umas das
outras, sem entender o que é caminhar, ter espaço pra cair e – principalmente –
levantar.
Enxergo agora que não se trata de conhecer e ser conhecido.
Trata-se de simplesmente manusear. Não existe tal coisa de “gente como a
gente”.
Onde nasceu a cidade pude ver no chão a saliva de alguém que
provavelmente nunca vou conhecer. E, na verdade, nem quero. Fazemos bem em
dividir a sala em apatia, porque a sua voz é um ataque ao meu silêncio.
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