Por Rommel Cuellar
Estava eu, assistindo Anticristo de Lars Von Trier em uma madrugada em minha casa e como um horror de depressão, o filme me atingira primeiramente com um choque, logo comecei os questionamentos sobre o que tinha visto e durante o que via, que Lars dizia algo com simbolismos e inúmeras metáforas difíceis de decifra-las.
O filme é dividido em um Prólogo, quatro capítulos compostos por Grief (Sofrimento), Pain (Chaos reigns) (Dor Caos reina), Despair (Gynocide) (Desespero (Ginocídio)), The Three Beggars (Os Três Mendigos) e um Epílogo.
O filme começa de uma forma visual encantadora em minha opinião, com trilha de Handel em câmera lenta e com o visual em preto e branco, Lars nos mostra um ato de sexo de um casal enquanto um bebê desce de seu berço e cai da janela, todo esse ocorrido é durante o ato de seus pais que não percebem toda a movimentação.
Com o fim do Prólogo as cores voltam ao filme, e em um hospital há um diálogo o qual a mãe diz que esta tendo um “luto anormal”, e quando termina os diálogos há um foco em um vaso com uma planta e o foco se amplia para a água. Será que o único ser vivo naquela sala de hospital era a planta?
Com o casal juntos em casa, o marido começa um tratamento terapêutico onde sua esposa mostra sintomas de abstinência e crises de ansiedade. Um dos pontos altos dessa minha experiência ocorreu nesse capitulo do filme o qual Charlotte Gainsbourg genial em sua interpretação, começa a descrever os seus sintomas sobre sua crise de ansiedade misturada com depressão, enquanto fala há imagens de seu corpo nú apresentando os sintomas como suor, tremor nas mãos e palpitações no seu peito (coração). Uma descrição, ao meu ponto de vista, primorosa.
Ao decorrer dos próximos capítulos Lars nos imunda com imagens aterrorizantes, junto com um silêncio perturbador. Lars com sua forma e câmeras na mão fizeram minhas bases estéticas antes estabelecidas ampliar. O filme apresenta muitos outros assuntos a serem discutidos como o "femícidio", a questão que Nietzsche em Genealogia da Moral nos pontua, os conceitos de "bom" e "mau" não passam de valores criados do homem para o homem, ou o que Freud nos diz em Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, onde Freud já considerava a criança como uma perversa polimorfa, uma vez que, as pulsões sexuais ainda não se encontram "erotizadas" ou devidamente canalizadas para um objeto específico, seja ele qual for, onde Lars deixa evidentemente explicito esse conhecimento em um diálogo em Ninfomaníaca parte II.
Para mim Anticristo é um grande exemplo de filme aliado à conhecimento, um filme que as vezes você pode terminá-lo e ter incógnitas, até não entendê-lo mas se você pesquisar irá entender as imagens e os diálogos. Anticristo é um daqueles filmes que você vê e sabe que o diretor está querendo transmitir algo, mas você não o entende perfeitamente em sua primeiridade, mas ele está dizendo algo não são apenas imagens e diálogos jogados na tela.
Postagens populares
-
Li ANGÚSTIA há muitos anos, ainda na pré-adolescência e costumo revisitar essa obra que sempre me delicia e assombra. A escrita envolve...
-
Uma vez vi umas pernas tão bonitas e o dia ia tão ensolarado, que tive que segui-las. Saindo de uma mini-saia jeans azul esse movimento...
-
Uma das experiências estética mais marcantes que eu já vivi aconteceu em uma ilha, quase deserta, ironicamente em uma de suas pr...
-
Por : Catharina Scarpellini Ze...
-
Por Vicente Evandro “Se Tom aprendeu alguma coisa, foi que não se atribui um grande significado cósmico a um simples evento terreno.” A...
-
Por Gabriel de Mello Brossi Tenho um costume meio estranho, m...
-
Por Dan Rudra No deserto de Nevada, Uma longa estrada, Me leva a um oasis, Na imponência de cassinos, Ostenta o mundo em um...
-
Por Matheus Detoni Quando ouvi a frase: "Você não paga pelos seus pecados na igreja. Você os paga na rua, os paga em casa. O resto é ...
-
Por Isabela Lazarini Sempre tive uma relação íntima com materiais artísticos, principalmente com a tinta. Fosse guache, plástica, a...
-
Tinha 14 anos quando minha prima - cujos gostos e estilos sempre foram minha referência do que era "cool" - me convidara para uma ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário