Carolina Montecchi
Desde pequena eu vou ao teatro, minha mãe é fonoaudióloga e trabalha mais com atores. Ela sempre me levou para ver as peças em que trabalhava. Lembro que a primeira vez que fui ao cinema fiquei frustrada quando o espetáculo saiu de uma tela e não do pequeno 'palco' que havia a baixo da tela. Mas depois que o filme começou minha frustração ficou para trás e comecei a gostar de cinema.
Meu pai assistia muitos desenhos comigo quando criança, mas me lembro como um filme de infância o musical Hair, que de infantil não tem nada. Na época é claro eu não entendia muitas coisas, como as cenas de uso de drogas e os delírios dos personagens. Mesmo assim era um dos meus filmes preferidos.
Escrito em 1967 por Gerome Ragni e James Rad, com trilha de Galt MacDermot, o musical conta a história de um grupo de hippies na época da guerra do Vietnã. Já o filme foi lançado em 1979 e dirigido por Milos Forman. Nele o grupo tenta convencer Claude, que foi recrutado para o exercido, a não ir para a guerra.
A alguns anos atrás combinei de assistir o filme, que não via a anos, na casa de um amigo. No final fiquei me perguntado porque meu pai achou que esse filme era apropriado pra uma criança, mas fiquei feliz por ele não ter pensado nisso.
Um tempo depois estreio a peça brasileira de Hair. Estava muito cara e eu e meus amigos queríamos muito ir. Então liguei para um amigo da minha mãe que conseguiu quatro ingressos 'vips' para nós.
Mesmo sendo diferente do filme com o qual estava acostumada, até mesmo as músicas, pois estavam em português, a peça era incrível, os atores distribuíram flores para a plateia, e o cenário era lindo. Fiquei muito emocionada, ela me trouxe boas lembranças da infância.
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quinta-feira, 27 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
Estrelas no mar
Estrelas do mar
Pauline Gras
Eu sempre fui apaixonada pelo
mar, pela areia, maresia e sol. Meu pai nos levava para a praia e sempre me
ensinava sobre as conchas e as mares.
E com ele comecei a mergulhar. Tive algumas aulas e sempre íamos
mais fundo. A imensidão do mar sempre me impressionou. Esse azul que escurece
quanto mais você desce, a variedade dos peixes, dos corais, da areia. Eu
descobria um mundo que nunca tinha imaginado.
Me maravilhava com o reflexo da luz nos corais laranja e vermelhos. Meu pai conseguia sempre descobrir os polvos escondidos e disfarçados.
Com o tempo quis evoluir e por isso em julho de 2013 decidi cursar com
meu amigo instrutor, uns mergulhos específicos: 40 metros de
profundidade, busca e recuperação, estudo da natureza submarina, navegação
submarina, fotografia submarina, e mergulho noturno.
Fomo até a ilha das cabras na Ilha Bela e começamos as nossas aulas.
Passamos o dia mergulhando.
Lugar
Elis Manukian
Primeira viagem - 0 anos de idade.
Minha expedição começou desde que era um pequeno embrião.
Mal sabia que dentro daquele lugar quentinho que eu me hospedei durante os primeiros nove meses de vida, eu já poderia aos poucos conhecer alguns cantos desse mundão.
Desde pequena, meus pais sempre me levavam para dois lugares distintos durante as ferias. Inverno era em Buenos Aires e verão era em Punta del Este.
Mamãe sempre me falava de um lugar onde o mar era azul da cor de seus olhos e as casinhas eram brancas como seu vestido preferido.
Em um dos passeios durante o verão, conheci um lugar maravilhoso. Me encontrava em uma "casa" de paredes brancas irregulares e para qualquer lugar que eu olhasse, poderia ver um azul sem fim.
Mamãe falava da Grécia e eu estava em Punta.
Era a Casapueblo (casa povo), um hotel feito por um senhorzinho muito simpático chamado Carlos Páez Vilaró. Lá vivi uma das experiências mais lúdicas e bonitas da minha vida. As paredes não eram retas. Tinham curvas, pontas e alturas diferentes. A piscina era pequena mas ideal para o meu pequeno tamanho. Na entrada, havia uma escultura de um sol com um sorriso, representando o símbolo do país.
Tudo aquilo me parecia tão bonito e ao mesmo tempo tão surreal.
Com certeza, é o meu lugar preferido. Lá estou perto do infinito do mar e das memórias de minha mãe.
Primeira viagem - 0 anos de idade.
Minha expedição começou desde que era um pequeno embrião.
Mal sabia que dentro daquele lugar quentinho que eu me hospedei durante os primeiros nove meses de vida, eu já poderia aos poucos conhecer alguns cantos desse mundão.
Desde pequena, meus pais sempre me levavam para dois lugares distintos durante as ferias. Inverno era em Buenos Aires e verão era em Punta del Este.
Mamãe sempre me falava de um lugar onde o mar era azul da cor de seus olhos e as casinhas eram brancas como seu vestido preferido.
Em um dos passeios durante o verão, conheci um lugar maravilhoso. Me encontrava em uma "casa" de paredes brancas irregulares e para qualquer lugar que eu olhasse, poderia ver um azul sem fim.
Mamãe falava da Grécia e eu estava em Punta.
Era a Casapueblo (casa povo), um hotel feito por um senhorzinho muito simpático chamado Carlos Páez Vilaró. Lá vivi uma das experiências mais lúdicas e bonitas da minha vida. As paredes não eram retas. Tinham curvas, pontas e alturas diferentes. A piscina era pequena mas ideal para o meu pequeno tamanho. Na entrada, havia uma escultura de um sol com um sorriso, representando o símbolo do país.
Tudo aquilo me parecia tão bonito e ao mesmo tempo tão surreal.
Com certeza, é o meu lugar preferido. Lá estou perto do infinito do mar e das memórias de minha mãe.
Engolidos - Thays de Miranda Sobreda
Uma das experiências estética mais marcantes que eu já vivi
aconteceu em uma ilha, quase deserta, ironicamente em uma de suas praias
chamada Praia Mansa. Eu deveria ter uns sete anos.
Uma das características mais marcantes da praia é a
impressionantes quantidade de conchas, pedaços de conchas, conchas pequenas,
quase mais conchas que areia ( sem contar com as proporções de tamanho é
claro).
Concentrada na minha missão, percebi o nível da água baixar rápido demais, falei para o meu primo ver se não vinha onda, mas só ouvi algo parecido com um gargarejo. Virei no mesmo momento e fui surpreendida com um tapa no rosto da parede de uma grande onda que tinha se formado.
Na verdade nem sei se era realmente gigante, não deu tempo pra nada, foi realmente rápido.
Os próximos segundos
que se passaram foram de completa desorientação, parecia que eu estava dentro
de um maquina de lavar, não tinha noção de onde era o fundo e onde era
superfície tamanha era violência com que eu girava, de vez em quando algo
áspero ralava-me um braço, uma perna. A adrenalina. As milhões de
conchinhas beliscando leve e rapidamente
meu corpo, quase como uma sensação de formigamento.
E o barulho...o som do poder da água, do tilintar das
conchinhas colidindo uma nas outras, o ruído da areia, as bolhas.
Lembro-me de abrir os olhos rapidamente (até que a água
salgada os fizessem arder) e ver como que um borrão de fundo verde esmeralda de
todos aqueles elementos que antes eu só ouvia.
Foram talvez quatro segundos dessa sensação que foram melhor
impressos na minha memória.
Até que me encontro fora d’água na areia grossa, ainda de
olhos fechados e tonta. Olho para frente e vejo a bundinha branca do meu primo,
também se levantando desnorteado. Aponto para ele e começo a rir. Ele faz o
mesmo para mim, então percebo que também perdi meu biquíni.
?
Tinha 14 anos quando minha prima - cujos gostos e estilos sempre foram minha referência do que era "cool" - me convidara para uma sessão de cinema na sala Paulo Emílio do CCSP. Eu morava no interior de São Paulo na época, numa cidadezinha de 30 mil habitantes chamada Piraju e, embora tivesse nascido na capital, cada saída com ela era uma descoberta dessa cidade de ninguém que esconde maravilhas. Como era de se esperar, aquela era minha primeira vez no Centro Cultural, o que, já de cara, me impressionou um bocado: na minha cidade não havia muitos espaços culturais, ainda mais "tããão legais" quanto aquele. Mal sabia o que íamos assistir, mas confiava o suficiente em seu gosto para já achar muito louco de antemão. Sabia que se tratava de uma mostra (confesso que na minha mente caipira, essa palavra nem fazia tanto sentido) chamada "Além Dogma" e que, segundo minha prima, eu PRE-CI-SA-VA assistir depois a um outro filme do diretor do filme em questão cuja protagonista era a Björk. Enfim, ingresso na mão, luzes se apagam, começou a sessão.
Até hoje não sei muito bem o que aconteceu naquela sala.
Por Karoline Mendes Ruiz
Na ponta dos pés
Ana Beatriz Nogueira Lages
Imagem: (Teatro Deodoro. Maceió-AL)
Uma garotinha de 3 anos perdida naquela imensidão vermelha,
cadeiras, carpete, portas, e cortinas vermelhas. Apaixonada pelos detalhes dourados nos botões
e maçanetas. Olhava para cima a todo instante procurando ver mais uma vez
aquele que era o maior lustre que já se tinha visto na vida. Ouvindo
atentamente o violino que com sua leveza transformava o ambiente de pessoas
falantes, mais agradável. Andava pelos corredores devagar até encontrar uma
porta diferente de todas as outras, e entreaberta resolveu explorar. “5 minutos! Temos 5 minutos pessoal!” . Olhava
maravilhada, todas aquelas roupas brilhantes, batons vermelhos, coques presos
com arranjos bordados a mão, homens..homens vestindo apenas meias finas..homens..
“homens nus? Socorro!”. Apressou-se para fechar a porta quando uma mulher
puxou-a ainda mais rápido e encarou-a.
-Está perdida? Melhor achar seus pais para sentar, o
espetáculo já vai começar. –Disse ela.
-Não, não estou perdida, só queria saber o que tinha atrás
dessa porta.- Disse a garota ainda querendo saber o que era tudo aquilo.
-Aqui é a entrada para as cochias! Os bailarinos saem
daqueles camarins ali atrás quando estão prontos e esperam aqui pra sua
apresentação começar. Ah, preciso correr! Preparem-se meninas!- Gritou a mulher
virando para as garotas esquecendo-se de deixar a porta fechada.
Foi quando ouviu aquele barulho. Ah! Aquele barulhinho..Pisadas na madeira, eram
pés, gessos, eram SAPATILHAS!
Volta para sua cadeira, apaixonada. As
luzes vão se apagando devagar e um ultimo toque de aviso é alarmado. Arruma-se
na cadeira confortável, ajeita a postura, observa a leveza como as cortinas se
abrem e então olha para frente. E lá estão elas, as criaturas dançantes. Flutuavam. Eram anjos, ela ouvia anjos... "Ela pôde voar!"
Ao final daquele espetáculo, quando as luzes se acenderam e
a garotinha continuava parada olhando para frente e sonhando acordada. Quando der
repente com um susto se mexe e então cheia de emoção pula no colo do pai e
grita apertando as bochechas dele:
- Eu quero e PRECISO fazer isso!
Bom, fui matriculada no ballet naquele mesmo ano e fui
bailarina durante 11 anos e meio, incluindo 8 de jazz e sapateado e 2 de moderno
até entrar na companhia da ballet onde grandes bailarinos se apresentam fora do
País, mas saí. Por motivos pessoais deixei aquilo que eu mais amava, mesmo
assim, ainda hoje, escuto todas as noites as musicas das quais dancei e sonhei
em dançar, e não preciso de sapatilhas, ouvindo-as, eu ainda posso voar.
O Destino e os labirintos do tempo
Quando nos postamos em frente à grandes obras de artes como as
grandes obras movimento cubista ou as do movimento surrealista, nos sentimos
desorientados de inicio. Procuramos um fator, um único ponto naquele quadro que
pode nos guiar em sua interpretação.
Quando vemos uma animação clássica da Disney, como “Dumbo” ou “Bambi” , somos remetidos de alguma maneira
à nossa mais tenra infância, onde fomos acostumados a assistir a esses desenhos
e aprendemos a ama-los de nossa própria maneira.
Em “Destino” curta metragem de animação idealizado por
Salvador Dali e Walt Disney, A margem à interpretação de uma analise de obra
surrealista se estende à animação. Com referencias à obras surrealistas, sejam
ela do cinema (Um ciao andaluz) ou à obras do próprio Dali , a animação ganha uma força de
interpretação que é de se espantar. Aos primeiros olhos uma simples história de
amor. Bem mais a fundo, com mais da estética surrealista, os labirintos do
tempo ganham forma.
O curta foi idealizado em 1946, mas apenas em 2003 foi
finalizado. Apenas 17 segundos ficaram prontos e foram vistos por Dali e
Disney. Ainda assim, o sentimento ao se
ver “Destino” é de um completo se perder dentro de um achar-se gigantesco, é um labirinto enigmático do tempo
e de como ele age para pessoas, é ainda mais do que isso , um se achar em um
amor impossível, um destino de duas pessoas que se encontram no meio da
confusão do tempo . Ao terminar, me
questionei se deveria ir atrás de um porque do filme, uma analise. Pensei
melhor e tive a certeza de que o melhor era deixar ele uma incógnita. Afinal, o
que seria de Dali se toda sua misticidade se acabasse?
Por Thiago Cunha
Experiência Estética Particular
Por
Isabela Lazarini
Eis que surge uma oportunidade de tornar esses meus impulsos uma coisa séria. Para a matéria de história da arte II precisávamos fazer uma obra visual, com qualquer tipo de técnica e referência. Sugeri - como uma brincadeira- de fazermos um quadro com a impressão dos nossos corpos sujos de tinta durante um ato sexual. Houve toda uma argumentação sobre o que estávamos querendo discutir com aquilo. Mas a ideia de me sujar de tinha em pleno prazer, era de longe o ápice da minha intimidade com a tinta, e tudo o que de artístico estaria ali envolvido.
Confesso que não foi tão simples como imaginei. A discussão que gera sobre uma mulher querer fazer sexo e usar o resultado disso como arte é realmente controversa, dado nosso contexto social machista e conservador. Fora o fato de eu ser uma mulher solteira.
Mas toda desavença, preconceito e olhares tortos desapareceram quando havia eu, alguém, muita tinta e um lençol pronto para receber minhas pinceladas. Foi lindo. Havia música em cada mancha. Era a mistura de todos os desenhos guardados dentro da minha pele. Foi como deixar com que arte pertencesse ao meu corpo, e deixasse fluir.
Ao mesmo tempo em que foi corpo, tinta e lençol, foi mais que isso. Foi experiência gravada na alma, fui "Além da pele" - nome que intitulamos o trabalho -, e que no fim discutia mais sobre a repressão sexual feminina do que minhas “pirações” particulares.
Lua e Sol por Julia Hannud
Tinha aproximadamente 13 anos quando fui fazer meu primeiro intercâmbio para Alemanha.
Assim que o o avião pousou em Stuttgart, meu coração batia forte, olhava a neve caindo sobre o aeroporto e as arvores que o rodeava. Peguei minha mala e fui em direção ao portão de saída, eufórica apertava meu ursinho branco com detalhes em rosa esperando que ele me protegesse caso algo desse errado. Passei o portão e lá estava minha Gastfamilie, um casal e 2 meninas. Meu "pai" uma pessoa de fisionomia estranha, já aparentava não estar muito animado com a minha chegada, minha "mãe" não sabia muito bem como agir, se aproximou de mim e estendeu sua mão para cumprimenta-la,minhas irmãs eram, uma um pouco mais nova do que eu e a outra uns 8 anos mais velha. Depois de algumas horas indo ao Sul de Stuttgart minha "mãe" aponta um edifício grande e sombrio, não consegui observar muito bem por causa da neve, mas ali deveria ser a minha escola nos próximos 4 meses. Após 40 min chego em uma micro cidade rodeada por uma floresta escura, que deveria ter no máximo mil habitantes.
Meu despertador toca, são 4:00 da manha, me levanto com muita dificuldade, sinto muito frio, e ando em direção ao banheiro. Sento na mesa de café da manha e minha "mãe" diz que minha irmã mais nova iria junto comigo para a escola, mas tínhamos que nos apressar pois o ônibus passava primeiro no nosso ponto para depois seguir caminho para as outras cidades vizinhas e por fim chegaríamos a escola.
Caminhamos por algum tempo ate chegarmos ao ponto de ônibus, eu distraída olhando aquela manha escura como a noite e com uma lua deslumbrante. O ônibus chega e sento no último lugar da direita encostada na janela, ponho meus fones de ouvido e observo o ônibus se locomover. A lua brilhava tanto que mal poderia imaginar que iria amanhecer, o ônibus passa no meio das árvores, era uma floresta. Movo a minha cabeça para o outro lado, e na janela vejo o sol nascendo timidamente, os raios já começavam a sair de traz das arvores. Não podia acreditar no que via, esfreguei os olhos, olho novamente para a minha janela e lá esta a lua, olho para o lado esquerdo e lá esta o sol! 
JULIA HANNUD

JULIA HANNUD
BARRO BATIDO, por José Carlos Malafaia Ferreira
Li ANGÚSTIA há muitos anos, ainda
na pré-adolescência e costumo revisitar essa obra que sempre me delicia e
assombra. A escrita envolvente de Graciliano Ramos, suas personagens complexas,
ricas, vivas. Mas tem um recorte que sempre faço e que justifica (também) a
fidelidade que tenho com essa escritura. É no momento em que seu protagonista
diz: “Quanto mais me aproximo de Bebedouro, mais remoço”. E não por ser
o bairro da minha infância, das lembranças, mas por saber que sou do mesmo
barro ali revolvido, que estrume, saliva, folhas, pelos, pele, eu, outros, não apenas caminhamos
naquele tecido, a ele nos misturamos e nos resultamos. Quando Graciliano
retornou ao bairro na personagem de Luís da Silva e remoça também, com ele eu
fui, vou a cada vez que releio e me angustio naquela peleja de vida. Dela me
faço parte.
A Dama e o Vagabundo
Por Beatriz Borsatto Faria
Eu e meu namorado, Yuri Tucci, somos apaixonados por música. No último carnaval resolvemos gravar uma série de jams - improvisações musicais - com violão, voz, escaleta e baixo. Não saber o que está por vir na harmonia, desafinar, se arriscar em um solo, sentir a energia e tentar entender o pensamento musical um do outro são com certeza, para mim, componentes de uma experiência estética.
O resultado pode não agradar. O microfone pode ser - e é! - ruim. Mas não posso de negar: lidar com o imprevisível é simplesmente delicioso.
Isso não é uma obra
Por Gabriela Pereira Lima
Já escrevi prosa e poesia, musiquei sem melodia e até rimei sem ter rima.
Na calada da noite é assim que minha alma se sente... Muda. Mas se muda, volta para onde tudo está nas entrelinhas.
Sem notar as estrelinhas eu já não posso ver o céu. O seu lugar ao meu lado.
Para ver o sol, levanto cedo. Cedo meu lugar na cama por um dia de verão. Então, vocês verão que minha essência está congelada.
É com o canto dos pássaros que saio do meu canto, como se pudesse colher com uma colher o resto da noite.
Sinto vontade de chorar quando sento em frente a arte. Enquanto meu corpo acende minha alma já ascendeu.
Eu absorvo tudo que leio e assim absolvo meus pecados.
Permaneço presa na caverna escura, sou presa fácil.
A vida como minha maior experiência estética não concluída.
Véu
Por Sarah Afonso
Insondável lampejo de vida
Mergulhava no segundo fecundo
Onde a minha alma atravessava
Portal de extensões divinas
Atravessando o rio do intocável
A mente ciente de eras
Desprendia-se na travessia
Túnel da grande mãe
Vibrava ligada a ela
centro de seu corpo
Exprimia-me entre suas tensões
Emoções e respirações
Ensinando-me a sentir
Gravidade
Grávida
Idade a me receber
Sob o firmamento tênue
De universos vastos
Nasci
Da água para a terra
Deserto
Tocando a pele do mundo
Áspera areia de ossos
Tesouros naturais de templos cavernosos
Manipulando suas formas
Construindo muros, pontes, colunas, altares, caminhos
Respostas prontas
Instruíram-me e a outros instruí
Trancando-me entre articulações retraídas
Cópias que existem sem viver
Imune
Sucumbida ao tédio da verdade
Duvidei
Atenta
Dúvida, sentidos, tempo, espaço
Transformavam-me
Mutável
Sopro divino
A música dos anjos
A casa do espirito
Morada sem fim
Cobriram-me com o manto da ética
Véu das percepções e da estética
Ver, tocar, dizer e ouvir
Sem os limites do plano
Jamais dada a verdade
Despertei o inconsciente
Resgatando do profundo
Os segredos do sentir
Encontro marcado
Com o dom de pensar
Por si
Presentes da terra
Cessando no vasto oceano revolto
Os ventos do medo
Esperanças e temores
Vida
Enfim
Procurando fora
Encontrei em mim
segunda-feira, 24 de março de 2014
CESTA DE FRUTAS
José Antonio Piné
Eu comprei uma passagem
para a Itália durante minhas férias no trabalho em julho de 2013 e tinha em mente um único
objetivo, ver de perto obras de arte de grandes pintores.
Parti sozinho para a minha
aventura, conheci uma italiana muito simpática no avião, nos flertamos e
tomamos um porre de conhaque no vôo, eu, ela e um velho alemão que estava num acento vizinho ao nosso. Chegando em Milão, nos despedimos e eu segui meu caminho em
direção a minha aventura em busca dos grandes mestres.
Em Milão, vi as mulheres mais lindas e
charmosas da minha vida desfilando pelas ruas da cidade. Para me localizar pela
cidade, eu seguia os passos de um guia de bolso que eu comprei as pressas na
livraria Cultura no Conjunto Nacional, minutos antes de pegar um táxi para o
aeroporto de Guarulhos. Um péssimo guia, que no final da viajem de 15 dias pela
Itália, estava em pedaços, porque eu não me entendia com ele, e este ficou mais
fácil de manusear com as folhas soltas. Não tinha opção a não ser usar este
livro, porque os italianos não falam inglês e eu não falo italiano. Quem falava
inglês eram turistas como eu, perdidos com seus guias de bolso.
Meu objetivo principal em Milão era ver a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci, mas chegando na capela aonde estava a obra,
para fazer a visita era necessário agendar presença com 24 horas de
antecedência. Como não teria mais 24 horas naquela cidade, doei o dinheiro do
ingresso a uma moradora de rua que estava pedindo dinheiro para turistas em
frente à capela. Segui então o meu caminho e depois de horas andando e buscando
outros pontos turísticos, entrei numa biblioteca. Não espera por aquilo, logo
na primeira sala daquele antigo prédio, me deparei com uma obra e foi um
êxtase, uma surpresa, uma sensação de arrepio físico e mental. Perdi a noção do
tempo admirando as cores e formas daquele quadro. Era a perfeição!
Mas naquele momento, foi difícil de entender como alguém poderia chegar a tal
resultado de forma tão sublime. O alcance de uma concepção estética como aquela feita por um artista
e suas ferramentas de trabalho. Seus sonhos, sua técnica, sua visão de mundo e
arte. Era um Caravaggio, “Canestra di fruta”, datado de aproximadamente 1599.
Aquela viajem ao velho continente começava a
fazer todo o sentido para minha vida, para sempre.
Nós, Idiotas!
Por Gabriel de Mello Brossi
Tenho um costume meio estranho, mas que talvez seja comum
para estudantes de Cinema. Todo dia, antes de abrir a página do Facebook, entro
num site de downloads de filmes via Torrent, e lá escolho de forma aleatória
vários filmes para baixar, não costumo nem olhar o nome dos autores ou mesmo os
nomes elenco do filme, simplesmente quero aumentar a minha filmoteca digital.
Após baixar o filme, ou os filmes, coloco tudo dentro de uma pasta até que
escolho um para assistir também de forma aleatória. Certa tarde, estava louco
para ver um filme, estava quase para colocar no pendrive Os Duelistas, de Ridley Scott, quando vejo um título de filme que me chamara
mais atenção, Os Idiotas. Eis então que plugo o pendrive na minha TV e com a
mágica da tecnologia vários pixels passam a reproduzir um filme cuja seu
preceito máximo era o Dogma 95, criado por Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, movimento
cinematográfico em que sua forma deve se restringir a dez normas contra as
técnicas de fazer filme de forma industrial, como em Hollywood. A partir da
primeira cena do filme, houve um choque estético em minha cabeça, nada que
havia visto em um filme superava aquele primeiro contato com Os Idiotas,
aquelas filmagens amadoras e sofisticadas, com um ar de realismo, uma mistura
de vídeos feitos em casa, pelas famílias, com ficção, tudo simplesmente fluía.
A história não se prende em momento algo em relação a seu gênero, ela em alguns
momentos parecia ser um comédia, como também se assemelhava a um drama
psicótico. O mais surpreendente dentro do filme, é no momento em que os
personagens estão numa locação exterior quando de repente passa um Câmera-man
com a câmera em suas mão, dando uma sensação de desleixo. No final do filme, a
única certeza que tinha, era de que o mais importante dentro de uma obra de
arte é a possibilidade de uma mudança de noção estética do seu observador. Eu
estava tão acostumado com os filmes que são praticamente enlatados, pois seguem
o mesmo padrão de filmagem, o mesmo padrão de roteiro, que Os Idiotas mudou a noção
da riqueza que poderia sair do cinema “arcaico”. Hollywood simplesmente vem nos transformando em verdadeiros Idiotas.
Gethsemane
Por Fernanda Contento
" (...) I want to know my God,
(...) I want to see my God: Why I should die.
Would I be more noticed than I ever was before?
Would the things I've said and done matter any more?
I have to know my Lord (...) I have to see my Lord:
If I die what will be my reward? Why should I die?
Can you show me now that I would not be killed in vain?
Show me just a little of your omnipresent brain
Show me there's a reason for your wanting me to die
You're far too keen on where and how
But not so hot on why" - Gethsemane por Tim Rice e Andrew Lloyd Webber
Ao ler o texto sem um contexto pode parecer uma simples pessoa louca, justificando um suicídio como vontade de Deus, mas não. Imagine agora Jesus Cristo, em uma revolta contra seu Pai que o faz sofrer na terra e não lhe dá motivos para tal, pronunciando tais versos...
Em 2011 participei da ópera rock amadora de Jesus Christ Superstar, em que tivemos aulas sobre a paixão de cristo para que pudéssemos entender o conflito e emoções envolvidas. Mas pra mim o tempo inteiro foi incompreensível, não me interessava pelas aulas, por religião, por Jesus, que, dirá entender os motivos do acontecimento. O que eu gostava eram das aulas de canto e coro, transmitir emoção pelas canções já era o suficiente para mim. Então um dia muda tudo. Estava no primeiro ensaio com a orquestra, a primeira música da peça, eles começam a tocar e BAM. É impressionante como sou ruim com as palavras e não sei expressar bem minhas emoções, mas vamos lá: eu delirei, literalmente, cai no chão, não conseguia pensar direito a música entrava pelos meus ouvidos e era pura emoção, eu era a música. Ridículo falar assim, eu sei, mas foi absurdo, o que uma simples música de abertura fez comigo, eu senti a peça, senti cada uma das canções pertencentes a ela, senti mesmo, eu as entendi completamente. Não acredito em Deus, não acredito em Jesus como o homem que transformou água em vinho ou multiplicou pães, mas definitivamente depois disso passei a acreditar no humano Jesus, um Jesus com dor e dúvida, e pude através dessa experiência "senti-las".
" (...) I want to know my God,
(...) I want to see my God: Why I should die.
Would I be more noticed than I ever was before?
Would the things I've said and done matter any more?
I have to know my Lord (...) I have to see my Lord:
If I die what will be my reward? Why should I die?
Can you show me now that I would not be killed in vain?
Show me just a little of your omnipresent brain
Show me there's a reason for your wanting me to die
You're far too keen on where and how
But not so hot on why" - Gethsemane por Tim Rice e Andrew Lloyd Webber
Ao ler o texto sem um contexto pode parecer uma simples pessoa louca, justificando um suicídio como vontade de Deus, mas não. Imagine agora Jesus Cristo, em uma revolta contra seu Pai que o faz sofrer na terra e não lhe dá motivos para tal, pronunciando tais versos...
Em 2011 participei da ópera rock amadora de Jesus Christ Superstar, em que tivemos aulas sobre a paixão de cristo para que pudéssemos entender o conflito e emoções envolvidas. Mas pra mim o tempo inteiro foi incompreensível, não me interessava pelas aulas, por religião, por Jesus, que, dirá entender os motivos do acontecimento. O que eu gostava eram das aulas de canto e coro, transmitir emoção pelas canções já era o suficiente para mim. Então um dia muda tudo. Estava no primeiro ensaio com a orquestra, a primeira música da peça, eles começam a tocar e BAM. É impressionante como sou ruim com as palavras e não sei expressar bem minhas emoções, mas vamos lá: eu delirei, literalmente, cai no chão, não conseguia pensar direito a música entrava pelos meus ouvidos e era pura emoção, eu era a música. Ridículo falar assim, eu sei, mas foi absurdo, o que uma simples música de abertura fez comigo, eu senti a peça, senti cada uma das canções pertencentes a ela, senti mesmo, eu as entendi completamente. Não acredito em Deus, não acredito em Jesus como o homem que transformou água em vinho ou multiplicou pães, mas definitivamente depois disso passei a acreditar no humano Jesus, um Jesus com dor e dúvida, e pude através dessa experiência "senti-las".
1503
Por Eduardo Lasas
Foi neste silêncio mútuo que nos encontramos, este olhar torto que me prende como um espelho, este olhar gritando como quem me conhecesse, amantes de vidas passadas.
O lúgubre de seu sorriso me afaga, afinal sempre fomos parecidos. Tornou-se imortal, agora eternizada por sua beleza, queria mesmo te matar, beber de seu sangue e assim quem sabe, me imortalizar.
Foi neste silêncio mútuo que nos encontramos, este olhar torto que me prende como um espelho, este olhar gritando como quem me conhecesse, amantes de vidas passadas.
O lúgubre de seu sorriso me afaga, afinal sempre fomos parecidos. Tornou-se imortal, agora eternizada por sua beleza, queria mesmo te matar, beber de seu sangue e assim quem sabe, me imortalizar.
tem gente que vai pra nunca mais
Por Anna Paula Furtado
Após seis horas num ônibus fedido a calor, arrivo ao destino não muito obstinado. A velhinha do banco da frente salta antes, ainda no subúrbio da cidade que parece pequena demais pra ter um subúrbio. Encontra a conhecida de há-muito. Abraço forte demais pro calor que fazia, quase se grudam. Tendo a invejar a consolidação das duas. Não têm que se preocupar com o que serão daqui a dez anos nem a prova daqui a dez dias, não se desesperam ao perceber que o primeiro pensamento do dia é daquele que nem lembra que você existe, nem se perguntam como preencher a vida da melhor maneira, já sabem quanto vai ter na conta bancária no fim do mês e no fim do ano e no fim do ano que vem, já aceitaram que pagam impostos altíssimos sem retorno algum, política não muda nunca, não têm dilemas bobos, já não levam em conta os draminhas dos pais, usam a mesma jarra de suco todo dia no almoço, a roupa que vestem não mudará seu dia, não precisam mais fazer amigos, não morrem de amor, não se importam de passar sábado à noite em casa, gostam do natal em família, mil etcs. Simples: pairam sobre o tempo: vivem, fazem o que já sabem que deve ser feito, está tudo em seu lugar, é a vez dos filhos sofrerem sem se conformar com sofrimento e se equilibrarem nesta prancha doida.
Profundamente, que graça tem este pairar? Se já não podem ou querem mudar sua vida e, consequentemente, o mundo, qual a finalidade do seu ser? Sobreviver? Só? Será que sobreviver é um "só"? Será que sobreviver é a grande vitória? Se já não há curvas na estrada e vê-se, pouco nítido, seu fim, que combustível alimenta esta jornada?
Sem sombra de dúvida daquele dia de muito sol, as palavras de um outrém-aquém-de-apresentações legendam melhor o daguerreótipo captado pelo meu celular naquele sol a pino de subúrbio:
"(...) está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?(...)
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Perigosos Caminhos
Por Matheus Detoni
Quando ouvi a frase: "Você não paga pelos seus pecados na igreja. Você os paga na rua, os paga em casa. O resto é bobagem e você sabe". Pensei nela. Pensei muito nela.
Escutei isso numa fase de dúvidas. Não sabia se o que eu estava fazendo era certo, mas quando a ouvi, pensei. E conclui que o único que sabia onde eu queria chegar era eu mesmo. O único que sabia o que eu queria fazer era eu mesmo. Essa frase mudou minha vida. Ela foi dita enquanto uma tela preta aparecia na tela do computador. Logo depois, um rapaz acorda assustado. As batidas da música da introdução me fizeram acordar, igual ao rapaz do filme. A violência estava presente, ela está sempre presente. Assim como ela está na minha vida e na de todos.
Não sabemos o que vai acontecer.
Quanto mais sabemos, menos sabemos. Assim como no filme andamos por caminhos perigosos, cheios de obstáculos e surpresas. Alguma coisa pode sempre nos surpreender. Depois do filme pensei: O mundo está aí e já que é cheio de perigosos caminhos, porque não o atravessar contando minhas histórias? Isso foi decisivo. Tudo culpa dessa frase, dessa batida, dessa dúvida.
Hoje, percebo que a dúvida continuou e não sei se terei uma resposta.
Quando ouvi a frase: "Você não paga pelos seus pecados na igreja. Você os paga na rua, os paga em casa. O resto é bobagem e você sabe". Pensei nela. Pensei muito nela.
Escutei isso numa fase de dúvidas. Não sabia se o que eu estava fazendo era certo, mas quando a ouvi, pensei. E conclui que o único que sabia onde eu queria chegar era eu mesmo. O único que sabia o que eu queria fazer era eu mesmo. Essa frase mudou minha vida. Ela foi dita enquanto uma tela preta aparecia na tela do computador. Logo depois, um rapaz acorda assustado. As batidas da música da introdução me fizeram acordar, igual ao rapaz do filme. A violência estava presente, ela está sempre presente. Assim como ela está na minha vida e na de todos.
Não sabemos o que vai acontecer.
Quanto mais sabemos, menos sabemos. Assim como no filme andamos por caminhos perigosos, cheios de obstáculos e surpresas. Alguma coisa pode sempre nos surpreender. Depois do filme pensei: O mundo está aí e já que é cheio de perigosos caminhos, porque não o atravessar contando minhas histórias? Isso foi decisivo. Tudo culpa dessa frase, dessa batida, dessa dúvida.
Hoje, percebo que a dúvida continuou e não sei se terei uma resposta.
Carta
Por Tania Arrais de Campos
Ontem antes do sol nascer, você me contou a história das nossas vidas.
Quando eu voltei para casa no fim de tarde, quase chorava e o céu brilhava em azul, isso doía, mais que quando chorava e o céu também.
Mais cedo tinha passado pela ópera e dela escapou a música densa de um piano e eu pensei, morrer ao som de um piano, como deve ser bom morrer ao som de um piano.
Ontem antes do sol nascer, você me contou a história das nossas vidas.
Quando eu voltei para casa no fim de tarde, quase chorava e o céu brilhava em azul, isso doía, mais que quando chorava e o céu também.
Mais cedo tinha passado pela ópera e dela escapou a música densa de um piano e eu pensei, morrer ao som de um piano, como deve ser bom morrer ao som de um piano.
Antichrist
Por Rommel Cuellar
Estava eu, assistindo Anticristo de Lars Von Trier em uma madrugada em minha casa e como um horror de depressão, o filme me atingira primeiramente com um choque, logo comecei os questionamentos sobre o que tinha visto e durante o que via, que Lars dizia algo com simbolismos e inúmeras metáforas difíceis de decifra-las.
O filme é dividido em um Prólogo, quatro capítulos compostos por Grief (Sofrimento), Pain (Chaos reigns) (Dor Caos reina), Despair (Gynocide) (Desespero (Ginocídio)), The Three Beggars (Os Três Mendigos) e um Epílogo.
O filme começa de uma forma visual encantadora em minha opinião, com trilha de Handel em câmera lenta e com o visual em preto e branco, Lars nos mostra um ato de sexo de um casal enquanto um bebê desce de seu berço e cai da janela, todo esse ocorrido é durante o ato de seus pais que não percebem toda a movimentação.
Com o fim do Prólogo as cores voltam ao filme, e em um hospital há um diálogo o qual a mãe diz que esta tendo um “luto anormal”, e quando termina os diálogos há um foco em um vaso com uma planta e o foco se amplia para a água. Será que o único ser vivo naquela sala de hospital era a planta?
Com o casal juntos em casa, o marido começa um tratamento terapêutico onde sua esposa mostra sintomas de abstinência e crises de ansiedade. Um dos pontos altos dessa minha experiência ocorreu nesse capitulo do filme o qual Charlotte Gainsbourg genial em sua interpretação, começa a descrever os seus sintomas sobre sua crise de ansiedade misturada com depressão, enquanto fala há imagens de seu corpo nú apresentando os sintomas como suor, tremor nas mãos e palpitações no seu peito (coração). Uma descrição, ao meu ponto de vista, primorosa.
Ao decorrer dos próximos capítulos Lars nos imunda com imagens aterrorizantes, junto com um silêncio perturbador. Lars com sua forma e câmeras na mão fizeram minhas bases estéticas antes estabelecidas ampliar. O filme apresenta muitos outros assuntos a serem discutidos como o "femícidio", a questão que Nietzsche em Genealogia da Moral nos pontua, os conceitos de "bom" e "mau" não passam de valores criados do homem para o homem, ou o que Freud nos diz em Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, onde Freud já considerava a criança como uma perversa polimorfa, uma vez que, as pulsões sexuais ainda não se encontram "erotizadas" ou devidamente canalizadas para um objeto específico, seja ele qual for, onde Lars deixa evidentemente explicito esse conhecimento em um diálogo em Ninfomaníaca parte II.
Para mim Anticristo é um grande exemplo de filme aliado à conhecimento, um filme que as vezes você pode terminá-lo e ter incógnitas, até não entendê-lo mas se você pesquisar irá entender as imagens e os diálogos. Anticristo é um daqueles filmes que você vê e sabe que o diretor está querendo transmitir algo, mas você não o entende perfeitamente em sua primeiridade, mas ele está dizendo algo não são apenas imagens e diálogos jogados na tela.
Estava eu, assistindo Anticristo de Lars Von Trier em uma madrugada em minha casa e como um horror de depressão, o filme me atingira primeiramente com um choque, logo comecei os questionamentos sobre o que tinha visto e durante o que via, que Lars dizia algo com simbolismos e inúmeras metáforas difíceis de decifra-las.
O filme é dividido em um Prólogo, quatro capítulos compostos por Grief (Sofrimento), Pain (Chaos reigns) (Dor Caos reina), Despair (Gynocide) (Desespero (Ginocídio)), The Three Beggars (Os Três Mendigos) e um Epílogo.
O filme começa de uma forma visual encantadora em minha opinião, com trilha de Handel em câmera lenta e com o visual em preto e branco, Lars nos mostra um ato de sexo de um casal enquanto um bebê desce de seu berço e cai da janela, todo esse ocorrido é durante o ato de seus pais que não percebem toda a movimentação.
Com o fim do Prólogo as cores voltam ao filme, e em um hospital há um diálogo o qual a mãe diz que esta tendo um “luto anormal”, e quando termina os diálogos há um foco em um vaso com uma planta e o foco se amplia para a água. Será que o único ser vivo naquela sala de hospital era a planta?
Com o casal juntos em casa, o marido começa um tratamento terapêutico onde sua esposa mostra sintomas de abstinência e crises de ansiedade. Um dos pontos altos dessa minha experiência ocorreu nesse capitulo do filme o qual Charlotte Gainsbourg genial em sua interpretação, começa a descrever os seus sintomas sobre sua crise de ansiedade misturada com depressão, enquanto fala há imagens de seu corpo nú apresentando os sintomas como suor, tremor nas mãos e palpitações no seu peito (coração). Uma descrição, ao meu ponto de vista, primorosa.
Ao decorrer dos próximos capítulos Lars nos imunda com imagens aterrorizantes, junto com um silêncio perturbador. Lars com sua forma e câmeras na mão fizeram minhas bases estéticas antes estabelecidas ampliar. O filme apresenta muitos outros assuntos a serem discutidos como o "femícidio", a questão que Nietzsche em Genealogia da Moral nos pontua, os conceitos de "bom" e "mau" não passam de valores criados do homem para o homem, ou o que Freud nos diz em Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, onde Freud já considerava a criança como uma perversa polimorfa, uma vez que, as pulsões sexuais ainda não se encontram "erotizadas" ou devidamente canalizadas para um objeto específico, seja ele qual for, onde Lars deixa evidentemente explicito esse conhecimento em um diálogo em Ninfomaníaca parte II.
Para mim Anticristo é um grande exemplo de filme aliado à conhecimento, um filme que as vezes você pode terminá-lo e ter incógnitas, até não entendê-lo mas se você pesquisar irá entender as imagens e os diálogos. Anticristo é um daqueles filmes que você vê e sabe que o diretor está querendo transmitir algo, mas você não o entende perfeitamente em sua primeiridade, mas ele está dizendo algo não são apenas imagens e diálogos jogados na tela.
domingo, 23 de março de 2014
O grito mudo do cinismo
Por Renata Quintieri
Minha experiência estética é uma mentira.
Assim como quando eu andei em uma rua que não conheço e
quando jantei com meus inimigos e comemos carne. É um sonho.
São Paulo tem dessas coisas: de ser real e paradoxalmente
impossível. Mas, no meu sonho, não tem figuras que me difamam, nem fantasmas
espaçosos que cortam o ventre por dinheiro. Essa estética não surgiu de cores,
nem de lugares; mas de gente. Um dia me apaixonei pela vontade de te magoar.
Por ver tantas pessoas em um só lugar, se empurrando e roubando o ar umas das
outras, sem entender o que é caminhar, ter espaço pra cair e – principalmente –
levantar.
Enxergo agora que não se trata de conhecer e ser conhecido.
Trata-se de simplesmente manusear. Não existe tal coisa de “gente como a
gente”.
Onde nasceu a cidade pude ver no chão a saliva de alguém que
provavelmente nunca vou conhecer. E, na verdade, nem quero. Fazemos bem em
dividir a sala em apatia, porque a sua voz é um ataque ao meu silêncio.
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