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terça-feira, 25 de março de 2014

Na ponta dos pés

                                                Ana Beatriz Nogueira Lages
                                                      
                          
                                          Imagem: (Teatro Deodoro. Maceió-AL)

Uma garotinha de 3 anos perdida naquela imensidão vermelha, cadeiras, carpete, portas, e cortinas vermelhas.  Apaixonada pelos detalhes dourados nos botões e maçanetas. Olhava para cima a todo instante procurando ver mais uma vez aquele que era o maior lustre que já se tinha visto na vida. Ouvindo atentamente o violino que com sua leveza transformava o ambiente de pessoas falantes, mais agradável. Andava pelos corredores devagar até encontrar uma porta diferente de todas as outras, e entreaberta resolveu explorar.  “5 minutos! Temos 5 minutos pessoal!” . Olhava maravilhada, todas aquelas roupas brilhantes, batons vermelhos, coques presos com arranjos bordados a mão, homens..homens vestindo apenas meias finas..homens.. “homens nus? Socorro!”. Apressou-se para fechar a porta quando uma mulher puxou-a ainda mais rápido e encarou-a.
 -Está perdida? Melhor achar seus pais para sentar, o espetáculo já vai começar. –Disse ela.
 -Não, não estou perdida, só queria saber o que tinha atrás dessa porta.- Disse a garota ainda querendo saber o que era tudo aquilo.
 -Aqui é a entrada para as cochias! Os bailarinos saem daqueles camarins ali atrás quando estão prontos e esperam aqui pra sua apresentação começar. Ah, preciso correr! Preparem-se meninas!- Gritou a mulher virando para as garotas esquecendo-se de deixar a porta fechada.
Foi quando ouviu aquele barulho.  Ah! Aquele barulhinho..Pisadas na madeira, eram pés, gessos, eram SAPATILHAS!  
Volta para sua cadeira, apaixonada. As luzes vão se apagando devagar e um ultimo toque de aviso é alarmado. Arruma-se na cadeira confortável, ajeita a postura, observa a leveza como as cortinas se abrem e então olha para frente. E lá estão elas, as criaturas dançantes. Flutuavam. Eram anjos, ela ouvia anjos... "Ela pôde voar!"
Ao final daquele espetáculo, quando as luzes se acenderam e a garotinha continuava parada olhando para frente e sonhando acordada. Quando der repente com um susto se mexe e então cheia de emoção pula no colo do pai e grita apertando as bochechas dele:
 - Eu quero e PRECISO fazer isso!




Bom, fui matriculada no ballet naquele mesmo ano e fui bailarina durante 11 anos e meio, incluindo 8 de jazz e sapateado e 2 de moderno até entrar na companhia da ballet onde grandes bailarinos se apresentam fora do País, mas saí. Por motivos pessoais deixei aquilo que eu mais amava, mesmo assim, ainda hoje, escuto todas as noites as musicas das quais dancei e sonhei em dançar, e não preciso de sapatilhas, ouvindo-as, eu ainda posso voar.

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