Por Vicente Evandro
“Se Tom aprendeu alguma coisa, foi que
não se atribui um grande significado cósmico a um simples evento terreno.” A
não ser que o evento seja o The Wall de Roger Waters.
Então eu pensei que iria gostar de ir a
um show.
Era cedo quando partimos para São Paulo
encontrar com alguns amigos, num domingo que poderia ter sido como qualquer
outro. Ao chegar nos portões do Morumbi a conversa não podia ser diferente.
Cada um tinha suas anedotas e experiências com uma das maiores obras da
humanidade. Isto porque The Wall não é apenas música. É Arte pura de um gênio.
Por ter crescido ouvindo Pink Floyd, as
expectativas para o show eram grandes. Já tinha visto o filme algumas vezes,
ouvido o álbum milhares de vezes, tinha visitado o Rock’n’Roll Hall of Fame em
Cleveland e visto uma pequena exposição sobre o The Wall onde tinha uma parte
do muro. É incrível pensar como uma obra dessa magnitude surgiu de um incidente
entre Waters e um fã e se tornou uma forte manifestação contra os desmandos do
poder, se mantendo sempre atual.
Voltando ao dia do show, a espera foi
longa. O que contribuía para o aumento da expectativa. O que não deixa de ser
notável para um show em que o setlist é conhecido e já se sabe mais ou menos
como que vai se desenrolar, afinal é uma obra conceitual que deve ser realizada
no todo.
O céu escureceu. As luzes se acenderam.
As luzes se apagaram. Frenesi. Waters
entra e sorri.
A expectativa era muito grande e, no
entanto, não chegou nem perto do que realmente foi a experiência. Experiência.
Isto porque The Wall não é apenas um show, é um espetáculo de perícia técnica
audiovisual impecável e meticulosamente calculado.
Foi lá pelo final da primeira parte que
se Tom estivesse por lá, teria aprendido que se pode atribuir um grande
significado cósmico a um “simples” evento terreno.
Foi lá pelo final da primeira parte que
um muro acabava de ser levantado e outro caía. Quando saí do transe, me dei
conta de que estava em lágrimas. Olhei para os lados, vi meus amigos e outras
pessoas na mesma situação.
Na segunda parte, a mesma hipnose tomou
conta. É notável como o espetáculo mexe com todos os sentidos e toca em emoções
que antes não achava ser possível vivenciar em tal lugar.
TEAR DOWN THE WALL! TEAR DOWN THE WALL!
E o muro caiu, com todos seus tijolos. Caiu sobre meus amigos, meu
irmão, sobre mim e sobre todos nós. Catarse. No fim, o sentimento era o mesmo. Foi
a purificação experimentada por todos que ali estavam.
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