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quinta-feira, 27 de março de 2014

Hair

Carolina Montecchi



Desde pequena eu vou ao teatro, minha mãe é fonoaudióloga e trabalha mais com atores. Ela sempre me levou para ver as peças em que trabalhava. Lembro que a primeira vez que fui ao cinema fiquei frustrada quando o espetáculo saiu de uma tela e não do pequeno 'palco' que havia a baixo da tela. Mas depois que o filme começou minha frustração ficou para trás e comecei a gostar de cinema.
Meu pai assistia muitos desenhos comigo quando criança, mas me lembro como um filme de infância o musical Hair, que de infantil não tem nada. Na época é claro eu não entendia muitas coisas, como as cenas de uso de drogas e os delírios dos personagens. Mesmo assim era um dos meus filmes preferidos.

Escrito em 1967 por Gerome Ragni e James Rad, com trilha de Galt MacDermot, o musical conta a história de um grupo de hippies na época da guerra do Vietnã. Já o filme foi lançado em 1979 e dirigido por Milos Forman. Nele o grupo tenta convencer Claude, que foi recrutado para o exercido, a não ir para a guerra.





 A alguns anos atrás combinei de assistir o filme, que não via a anos, na casa de um amigo. No final fiquei me perguntado porque meu pai achou que esse filme era apropriado pra uma criança, mas fiquei feliz por ele não ter pensado nisso.
Um tempo depois estreio a peça brasileira de Hair. Estava muito cara e eu e meus amigos queríamos muito ir. Então liguei para um amigo da minha mãe que conseguiu quatro ingressos 'vips' para nós.







Mesmo sendo diferente do filme com o qual estava acostumada, até mesmo as músicas, pois estavam em português, a peça era incrível, os atores distribuíram flores para a plateia, e o cenário era lindo.  Fiquei muito emocionada, ela me trouxe boas lembranças da infância.




terça-feira, 25 de março de 2014

Estrelas no mar

Estrelas do mar
Pauline Gras


Eu sempre fui apaixonada pelo mar, pela areia, maresia e sol. Meu pai nos levava para a praia e sempre me ensinava sobre as conchas e as mares. 
E com ele comecei a mergulhar.  Tive algumas aulas e sempre íamos mais fundo. A imensidão do mar sempre me impressionou. Esse azul que escurece quanto mais você desce, a variedade dos peixes, dos corais, da areia. Eu descobria um mundo que nunca tinha imaginado. 
Me maravilhava com o reflexo da luz nos corais laranja e vermelhos. Meu pai conseguia sempre descobrir os polvos escondidos e disfarçados. 


Com o tempo quis evoluir e por isso em julho de 2013 decidi cursar com meu amigo instrutor, uns mergulhos específicos: 40 metros de profundidade, busca e recuperação, estudo da natureza submarina, navegação submarina, fotografia submarina, e mergulho noturno. 
Fomo até a ilha das cabras na Ilha Bela e começamos as nossas aulas. Passamos o dia mergulhando. 

 O nosso ultimo mergulho era o mergulho noturno. Em julho o ar estava frio e o mar gelado, estávamos vestidos de roupa de borracha bem grossa e mesmo assim a agua penetrava nossas roupas. Preparamos o nosso material e entramos na agua. Quando a agua chegou ao meu pescoço meu coração começou a bater, minhas mãos a suar e meu corpo inteiro a tremer, estava apavorada. O escuridão do mar é aterrorizante. a correnteza estava nos puxando e meu coração acelerava. Íamos afundando e tudo ficava mais escuro. Queria desistir mas a correnteza não nos permitia voltar a  praia. Foi nesse momento de pânico, que meu amigo me segurou pela mão e pediu para eu olhar . Ele então começou a movimentar com sua a mão a agua que de repente começou a brilhar. Milhões de pontinhos de luz. Mais forte ele mexia sua mão e mais pontinhos de brilho apareciam. Eram estrelas , um mar cheio de estrelas. No meio do mar , numa escuridão plena um simples movimento encheu de luz ao nosso redor.  Senti uma felicidade tão grande. Descobri depois que essa luz vinha dos plânctons, os vagalumes do mar. Foi um momento muito emocionante. Quando achamos que não ha mais luz o simples movimento pode tornar uma escuridão em uma correnteza de luz, em um céu estrelado. 




Lugar

Elis Manukian

Primeira viagem - 0 anos de idade.

Minha expedição começou desde que era um pequeno embrião.
Mal sabia que dentro daquele lugar quentinho que eu me hospedei durante os primeiros nove meses de vida, eu já poderia aos poucos conhecer alguns cantos desse mundão.
Desde pequena, meus pais sempre me levavam para dois lugares distintos durante as ferias. Inverno era em Buenos Aires e verão era em Punta del Este.
Mamãe sempre me falava de um lugar onde o mar era azul da cor de seus olhos e as casinhas eram brancas como seu vestido preferido.
Em um dos passeios durante o verão, conheci um lugar maravilhoso. Me encontrava em uma "casa" de paredes brancas irregulares e para qualquer lugar que eu olhasse, poderia ver um azul sem fim.
Mamãe falava da Grécia e eu estava em Punta.
Era a Casapueblo (casa povo), um hotel feito por um senhorzinho muito simpático chamado Carlos Páez Vilaró. Lá vivi uma das experiências mais lúdicas e bonitas da minha vida. As paredes não eram retas. Tinham curvas, pontas e alturas diferentes. A piscina era pequena mas ideal para o meu pequeno tamanho. Na entrada, havia uma escultura de um sol com um sorriso, representando o símbolo do país.
Tudo aquilo me parecia tão bonito e ao mesmo tempo tão surreal.
Com certeza, é o meu lugar preferido. Lá estou perto do infinito do mar e das memórias de minha mãe.



Engolidos - Thays de Miranda Sobreda


 
 
Uma das experiências estética mais marcantes que eu já vivi aconteceu em uma ilha, quase deserta, ironicamente em uma de suas praias chamada Praia Mansa. Eu deveria ter uns sete anos.

Uma das características mais marcantes da praia é a impressionantes quantidade de conchas, pedaços de conchas, conchas pequenas, quase mais conchas que areia ( sem contar com as proporções de tamanho é claro).
 
Não me recordo muito bem onde estava o resto da família, só sei que não estavam muito perto e eu e o meu primo, dois anos mais novo que eu, estávamos na parte rasa, de costas para o mar, procurando as conchas mais bonitas que achássemos.

Concentrada na minha missão, percebi o nível da água baixar rápido demais, falei para o meu primo ver se não vinha onda, mas só ouvi algo parecido com um gargarejo. Virei no mesmo momento e fui surpreendida com um tapa no rosto da parede de uma grande onda que tinha se formado.

Na verdade nem sei se era realmente gigante, não deu tempo pra nada, foi realmente rápido.

 Os próximos segundos que se passaram foram de completa desorientação, parecia que eu estava dentro de um maquina de lavar, não tinha noção de onde era o fundo e onde era superfície tamanha era violência com que eu girava, de vez em quando algo áspero ralava-me um braço, uma perna. A adrenalina. As milhões de conchinhas  beliscando leve e rapidamente meu corpo, quase como uma sensação de formigamento.

E o barulho...o som do poder da água, do tilintar das conchinhas colidindo uma nas outras, o ruído da areia, as bolhas.

Lembro-me de abrir os olhos rapidamente (até que a água salgada os fizessem arder) e ver como que um borrão de fundo verde esmeralda de todos aqueles elementos que antes eu só ouvia.

Foram talvez quatro segundos dessa sensação que foram melhor impressos na minha memória.

Até que me encontro fora d’água na areia grossa, ainda de olhos fechados e tonta. Olho para frente e vejo a bundinha branca do meu primo, também se levantando desnorteado. Aponto para ele e começo a rir. Ele faz o mesmo para mim, então percebo que também perdi meu biquíni.

?

Tinha 14 anos quando minha prima - cujos gostos e estilos sempre foram minha referência do que era "cool" - me convidara para uma sessão de cinema na sala Paulo Emílio do CCSP. Eu morava no interior de São Paulo na época, numa cidadezinha de 30 mil habitantes chamada Piraju e, embora tivesse nascido na capital, cada saída com ela era uma descoberta dessa cidade de ninguém que esconde maravilhas. Como era de se esperar, aquela era minha primeira vez no Centro Cultural, o que, já de cara, me impressionou um bocado: na minha cidade não havia muitos espaços culturais, ainda mais "tããão legais" quanto aquele. Mal sabia o que íamos assistir, mas confiava o suficiente em seu gosto para já achar muito louco de antemão. Sabia que se tratava de uma mostra (confesso que na minha mente caipira, essa palavra nem fazia tanto sentido) chamada "Além Dogma" e que, segundo minha prima, eu PRE-CI-SA-VA assistir depois a um outro filme do diretor do filme em questão cuja protagonista era a Björk. Enfim, ingresso na mão, luzes se apagam, começou a sessão.








                                                                     











Até hoje não sei muito bem o que aconteceu naquela sala. 

Por Karoline Mendes Ruiz

Na ponta dos pés

                                                Ana Beatriz Nogueira Lages
                                                      
                          
                                          Imagem: (Teatro Deodoro. Maceió-AL)

Uma garotinha de 3 anos perdida naquela imensidão vermelha, cadeiras, carpete, portas, e cortinas vermelhas.  Apaixonada pelos detalhes dourados nos botões e maçanetas. Olhava para cima a todo instante procurando ver mais uma vez aquele que era o maior lustre que já se tinha visto na vida. Ouvindo atentamente o violino que com sua leveza transformava o ambiente de pessoas falantes, mais agradável. Andava pelos corredores devagar até encontrar uma porta diferente de todas as outras, e entreaberta resolveu explorar.  “5 minutos! Temos 5 minutos pessoal!” . Olhava maravilhada, todas aquelas roupas brilhantes, batons vermelhos, coques presos com arranjos bordados a mão, homens..homens vestindo apenas meias finas..homens.. “homens nus? Socorro!”. Apressou-se para fechar a porta quando uma mulher puxou-a ainda mais rápido e encarou-a.
 -Está perdida? Melhor achar seus pais para sentar, o espetáculo já vai começar. –Disse ela.
 -Não, não estou perdida, só queria saber o que tinha atrás dessa porta.- Disse a garota ainda querendo saber o que era tudo aquilo.
 -Aqui é a entrada para as cochias! Os bailarinos saem daqueles camarins ali atrás quando estão prontos e esperam aqui pra sua apresentação começar. Ah, preciso correr! Preparem-se meninas!- Gritou a mulher virando para as garotas esquecendo-se de deixar a porta fechada.
Foi quando ouviu aquele barulho.  Ah! Aquele barulhinho..Pisadas na madeira, eram pés, gessos, eram SAPATILHAS!  
Volta para sua cadeira, apaixonada. As luzes vão se apagando devagar e um ultimo toque de aviso é alarmado. Arruma-se na cadeira confortável, ajeita a postura, observa a leveza como as cortinas se abrem e então olha para frente. E lá estão elas, as criaturas dançantes. Flutuavam. Eram anjos, ela ouvia anjos... "Ela pôde voar!"
Ao final daquele espetáculo, quando as luzes se acenderam e a garotinha continuava parada olhando para frente e sonhando acordada. Quando der repente com um susto se mexe e então cheia de emoção pula no colo do pai e grita apertando as bochechas dele:
 - Eu quero e PRECISO fazer isso!




Bom, fui matriculada no ballet naquele mesmo ano e fui bailarina durante 11 anos e meio, incluindo 8 de jazz e sapateado e 2 de moderno até entrar na companhia da ballet onde grandes bailarinos se apresentam fora do País, mas saí. Por motivos pessoais deixei aquilo que eu mais amava, mesmo assim, ainda hoje, escuto todas as noites as musicas das quais dancei e sonhei em dançar, e não preciso de sapatilhas, ouvindo-as, eu ainda posso voar.

O Destino e os labirintos do tempo


Quando nos postamos em frente à grandes obras de artes como as grandes obras movimento cubista ou as do movimento surrealista, nos sentimos desorientados de inicio. Procuramos um fator, um único ponto naquele quadro que pode nos guiar em sua interpretação. 

Quando vemos uma animação clássica da Disney, como “Dumbo”  ou “Bambi” , somos remetidos de alguma maneira à nossa mais tenra infância, onde fomos acostumados a assistir a esses desenhos e aprendemos a ama-los de nossa própria maneira.

Em “Destino” curta metragem de animação idealizado por Salvador Dali e Walt Disney, A margem à interpretação de uma analise de obra surrealista se estende à animação. Com referencias à obras surrealistas, sejam ela do cinema (Um ciao andaluz) ou à obras do próprio Dali ,  a animação ganha uma força de interpretação que é de se espantar. Aos primeiros olhos uma simples história de amor. Bem mais a fundo, com mais da estética surrealista, os labirintos do tempo ganham forma. 


O curta foi idealizado em 1946, mas apenas em 2003 foi finalizado. Apenas 17 segundos ficaram prontos e foram vistos por Dali e Disney.  Ainda assim, o sentimento ao se ver “Destino” é de um completo se perder dentro de um achar-se  gigantesco, é um labirinto enigmático do tempo e de como ele age para pessoas, é ainda mais do que isso , um se achar em um amor impossível, um destino de duas pessoas que se encontram no meio da confusão do tempo .  Ao terminar, me questionei se deveria ir atrás de um porque do filme, uma analise. Pensei melhor e tive a certeza de que o melhor era deixar ele uma incógnita. Afinal, o que seria de Dali se toda sua misticidade se acabasse? 

Por Thiago Cunha