Por Gabriel de Mello Brossi
Tenho um costume meio estranho, mas que talvez seja comum
para estudantes de Cinema. Todo dia, antes de abrir a página do Facebook, entro
num site de downloads de filmes via Torrent, e lá escolho de forma aleatória
vários filmes para baixar, não costumo nem olhar o nome dos autores ou mesmo os
nomes elenco do filme, simplesmente quero aumentar a minha filmoteca digital.
Após baixar o filme, ou os filmes, coloco tudo dentro de uma pasta até que
escolho um para assistir também de forma aleatória. Certa tarde, estava louco
para ver um filme, estava quase para colocar no pendrive Os Duelistas, de Ridley Scott, quando vejo um título de filme que me chamara
mais atenção, Os Idiotas. Eis então que plugo o pendrive na minha TV e com a
mágica da tecnologia vários pixels passam a reproduzir um filme cuja seu
preceito máximo era o Dogma 95, criado por Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, movimento
cinematográfico em que sua forma deve se restringir a dez normas contra as
técnicas de fazer filme de forma industrial, como em Hollywood. A partir da
primeira cena do filme, houve um choque estético em minha cabeça, nada que
havia visto em um filme superava aquele primeiro contato com Os Idiotas,
aquelas filmagens amadoras e sofisticadas, com um ar de realismo, uma mistura
de vídeos feitos em casa, pelas famílias, com ficção, tudo simplesmente fluía.
A história não se prende em momento algo em relação a seu gênero, ela em alguns
momentos parecia ser um comédia, como também se assemelhava a um drama
psicótico. O mais surpreendente dentro do filme, é no momento em que os
personagens estão numa locação exterior quando de repente passa um Câmera-man
com a câmera em suas mão, dando uma sensação de desleixo. No final do filme, a
única certeza que tinha, era de que o mais importante dentro de uma obra de
arte é a possibilidade de uma mudança de noção estética do seu observador. Eu
estava tão acostumado com os filmes que são praticamente enlatados, pois seguem
o mesmo padrão de filmagem, o mesmo padrão de roteiro, que Os Idiotas mudou a noção
da riqueza que poderia sair do cinema “arcaico”. Hollywood simplesmente vem nos transformando em verdadeiros Idiotas.
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