CESTA DE FRUTAS
José Antonio Piné
Eu comprei uma passagem
para a Itália durante minhas férias no trabalho em julho de 2013 e tinha em mente um único
objetivo, ver de perto obras de arte de grandes pintores.
Parti sozinho para a minha
aventura, conheci uma italiana muito simpática no avião, nos flertamos e
tomamos um porre de conhaque no vôo, eu, ela e um velho alemão que estava num acento vizinho ao nosso. Chegando em Milão, nos despedimos e eu segui meu caminho em
direção a minha aventura em busca dos grandes mestres.
Em Milão, vi as mulheres mais lindas e
charmosas da minha vida desfilando pelas ruas da cidade. Para me localizar pela
cidade, eu seguia os passos de um guia de bolso que eu comprei as pressas na
livraria Cultura no Conjunto Nacional, minutos antes de pegar um táxi para o
aeroporto de Guarulhos. Um péssimo guia, que no final da viajem de 15 dias pela
Itália, estava em pedaços, porque eu não me entendia com ele, e este ficou mais
fácil de manusear com as folhas soltas. Não tinha opção a não ser usar este
livro, porque os italianos não falam inglês e eu não falo italiano. Quem falava
inglês eram turistas como eu, perdidos com seus guias de bolso.
Meu objetivo principal em Milão era ver a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci, mas chegando na capela aonde estava a obra,
para fazer a visita era necessário agendar presença com 24 horas de
antecedência. Como não teria mais 24 horas naquela cidade, doei o dinheiro do
ingresso a uma moradora de rua que estava pedindo dinheiro para turistas em
frente à capela. Segui então o meu caminho e depois de horas andando e buscando
outros pontos turísticos, entrei numa biblioteca. Não espera por aquilo, logo
na primeira sala daquele antigo prédio, me deparei com uma obra e foi um
êxtase, uma surpresa, uma sensação de arrepio físico e mental. Perdi a noção do
tempo admirando as cores e formas daquele quadro. Era a perfeição!
Mas naquele momento, foi difícil de entender como alguém poderia chegar a tal
resultado de forma tão sublime. O alcance de uma concepção estética como aquela feita por um artista
e suas ferramentas de trabalho. Seus sonhos, sua técnica, sua visão de mundo e
arte. Era um Caravaggio, “Canestra di fruta”, datado de aproximadamente 1599.
Aquela viajem ao velho continente começava a
fazer todo o sentido para minha vida, para sempre.

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