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terça-feira, 25 de março de 2014

Engolidos - Thays de Miranda Sobreda


 
 
Uma das experiências estética mais marcantes que eu já vivi aconteceu em uma ilha, quase deserta, ironicamente em uma de suas praias chamada Praia Mansa. Eu deveria ter uns sete anos.

Uma das características mais marcantes da praia é a impressionantes quantidade de conchas, pedaços de conchas, conchas pequenas, quase mais conchas que areia ( sem contar com as proporções de tamanho é claro).
 
Não me recordo muito bem onde estava o resto da família, só sei que não estavam muito perto e eu e o meu primo, dois anos mais novo que eu, estávamos na parte rasa, de costas para o mar, procurando as conchas mais bonitas que achássemos.

Concentrada na minha missão, percebi o nível da água baixar rápido demais, falei para o meu primo ver se não vinha onda, mas só ouvi algo parecido com um gargarejo. Virei no mesmo momento e fui surpreendida com um tapa no rosto da parede de uma grande onda que tinha se formado.

Na verdade nem sei se era realmente gigante, não deu tempo pra nada, foi realmente rápido.

 Os próximos segundos que se passaram foram de completa desorientação, parecia que eu estava dentro de um maquina de lavar, não tinha noção de onde era o fundo e onde era superfície tamanha era violência com que eu girava, de vez em quando algo áspero ralava-me um braço, uma perna. A adrenalina. As milhões de conchinhas  beliscando leve e rapidamente meu corpo, quase como uma sensação de formigamento.

E o barulho...o som do poder da água, do tilintar das conchinhas colidindo uma nas outras, o ruído da areia, as bolhas.

Lembro-me de abrir os olhos rapidamente (até que a água salgada os fizessem arder) e ver como que um borrão de fundo verde esmeralda de todos aqueles elementos que antes eu só ouvia.

Foram talvez quatro segundos dessa sensação que foram melhor impressos na minha memória.

Até que me encontro fora d’água na areia grossa, ainda de olhos fechados e tonta. Olho para frente e vejo a bundinha branca do meu primo, também se levantando desnorteado. Aponto para ele e começo a rir. Ele faz o mesmo para mim, então percebo que também perdi meu biquíni.

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