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quinta-feira, 20 de março de 2014

A FANTASIA NÃO APENAS VIVE COMO BATALHA

por Manuela Carvalho

Quando se cresce lendo “Dragões de Éter” (Raphael Draccon) e fazendo maratonas de “O Senhor dos Anéis” (Peter Jackson) não é difícil de imaginar a si no lugar da Bradamante ou do Legolas, lutando batalhas épicas, com  uma espada em uma mão e o destino de diversos reinos na outra. Uma coisa, porém é imaginar, outra é participar.

Fazer parte de um clã e ter suas próprias armas em casa não são, contudo, coisas tão raras quanto parecem, ainda mais em uma cidade como São Paulo. Originado na junção de outros três grupos mais antigos, o Draikaner é um dos mais importantes clãs brasileiros de swordplay – aquele esporte que Ken Jeong pratica em “Faça o Que Eu Digo , Não faça o Que Eu Faço”  (“Role Models”, 2008, Estados Unidos/Alemanha) -, sendo também o principal responsável pela organização do EPS, o Encontro Paulista de Swordplay, que é o maior evento do gênero do país, contando anualmente com a participação de clãs de todo o Brasil.

Explicado isso tudo, posso simplesmente afirmar que sou uma garota de sorte, pois tive a felicidade de fazer parte do Draikaner e de viver uma experiência incrível ao lado dos meu companheiros de clã e de outros 350 colegas de esporte.

No dia 28 de Julho de 2013 foi realizado o III EPS. Eu já havia me graduado pela segunda vez dentro do clã, de forma que pude participar ativamente do evento, isto é, vestida com o meu tabard (o “uniforme” do clã) rubro e ouro, com uma espada em cada mão e todo o respeito, dedicação e felicidade do mundo em outra, pude participar das batalhas medievais que ocorreram naquele julho, no Parque Villa Lobos.

Nada como sentir a excitação dos momentos que precederam minha primeira vez em campo. Havia aproximadamente 200 pessoas de cada lado, tabards de todas as cores esperando apenas a autorização dos juízes para dar início ao jogo. Os dedos formigavam, os olhos se cerravam sob o sol que abençoava aquele dia glorioso na vida de tantos jovens, cada músculo se tensionava esperando... E o apito soou.

Comandos eram dados enquanto uma massa colorida se organizava de acordo com as instruções gritadas. Ponta de flecha! Boca de lobo! Você vai de batedor. Dá suporte pra eles lá. Formações se faziam e desfaziam, como nuvens no céu; espadas se cruzavam com lanças, escudos, adagas, machados, arcos e flechas, arma contra arma, arrancando braços, trespassando corpos, decepando pernas.

Uma. Duas. Três batalhas. Draikaner, Magnus Legio, Graal, Falcões, Aço Negro... Todos absolutamente unidos por um só sentimento puro, etéreo: a felicidade. E num rugido disforme e polifônico tudo se encerrou, pois os lemas dos clãs eram gritados com toda a força que nos restava, para mim apenas um interessava: o lema do meu clã, dos meus amigos, da minha família por opção


IN GLADIUS VICTORIA EST.

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