por Manuela Carvalho
Quando
se cresce lendo “Dragões de Éter” (Raphael Draccon) e fazendo maratonas de “O
Senhor dos Anéis” (Peter Jackson) não é difícil de imaginar a si no lugar da
Bradamante ou do Legolas, lutando batalhas épicas, com uma espada em uma mão e o destino de diversos
reinos na outra. Uma coisa, porém é imaginar, outra é participar.
Fazer
parte de um clã e ter suas próprias armas em casa não são, contudo, coisas tão
raras quanto parecem, ainda mais em uma cidade como São Paulo. Originado na
junção de outros três grupos mais antigos, o Draikaner é um dos mais importantes
clãs brasileiros de swordplay – aquele esporte que Ken Jeong pratica em “Faça o
Que Eu Digo , Não faça o Que Eu Faço” (“Role
Models”, 2008, Estados Unidos/Alemanha) -, sendo também o principal responsável
pela organização do EPS, o Encontro Paulista de Swordplay, que é o maior evento
do gênero do país, contando anualmente com a participação de clãs de todo o Brasil.
Explicado
isso tudo, posso simplesmente afirmar que sou uma garota de sorte, pois tive a
felicidade de fazer parte do Draikaner e de viver uma experiência incrível ao
lado dos meu companheiros de clã e de outros 350 colegas de esporte.
No
dia 28 de Julho de 2013 foi realizado o III EPS. Eu já havia me graduado pela
segunda vez dentro do clã, de forma que pude participar ativamente do evento,
isto é, vestida com o meu tabard (o
“uniforme” do clã) rubro e ouro, com uma espada em cada mão e todo o respeito,
dedicação e felicidade do mundo em outra, pude participar das batalhas
medievais que ocorreram naquele julho, no Parque Villa Lobos.
Nada como sentir a excitação dos momentos que precederam
minha primeira vez em campo. Havia aproximadamente 200 pessoas de cada lado, tabards de todas as cores esperando
apenas a autorização dos juízes para dar início ao jogo. Os dedos formigavam,
os olhos se cerravam sob o sol que abençoava aquele dia glorioso na vida de
tantos jovens, cada músculo se tensionava esperando... E o apito soou.
Comandos eram dados enquanto uma massa colorida se
organizava de acordo com as instruções gritadas. Ponta de flecha! Boca de lobo!
Você vai de batedor. Dá suporte pra eles lá. Formações se faziam e desfaziam,
como nuvens no céu; espadas se cruzavam com lanças, escudos, adagas, machados,
arcos e flechas, arma contra arma, arrancando braços, trespassando corpos,
decepando pernas.
Uma. Duas. Três batalhas. Draikaner, Magnus Legio, Graal,
Falcões, Aço Negro... Todos absolutamente unidos por um só sentimento puro,
etéreo: a felicidade. E num rugido disforme e polifônico tudo se encerrou, pois
os lemas dos clãs eram gritados com toda a força que nos restava, para mim
apenas um interessava: o lema do meu clã, dos meus amigos, da minha família por
opção
IN GLADIUS VICTORIA EST.
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