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domingo, 23 de março de 2014

O grito mudo do cinismo

Por Renata Quintieri


Minha experiência estética é uma mentira.
Assim como quando eu andei em uma rua que não conheço e quando jantei com meus inimigos e comemos carne. É um sonho.
São Paulo tem dessas coisas: de ser real e paradoxalmente impossível. Mas, no meu sonho, não tem figuras que me difamam, nem fantasmas espaçosos que cortam o ventre por dinheiro. Essa estética não surgiu de cores, nem de lugares; mas de gente. Um dia me apaixonei pela vontade de te magoar. Por ver tantas pessoas em um só lugar, se empurrando e roubando o ar umas das outras, sem entender o que é caminhar, ter espaço pra cair e – principalmente – levantar.
Enxergo agora que não se trata de conhecer e ser conhecido. Trata-se de simplesmente manusear. Não existe tal coisa de “gente como a gente”. 

Onde nasceu a cidade pude ver no chão a saliva de alguém que provavelmente nunca vou conhecer. E, na verdade, nem quero. Fazemos bem em dividir a sala em apatia, porque a sua voz é um ataque ao meu silêncio.

sábado, 22 de março de 2014

Vegas

Por Dan Rudra

No deserto de Nevada,
Uma longa estrada,
Me leva a um oasis,

Na imponência de cassinos,
Ostenta o mundo em uma avenida,
Mistura, riqueza, kitsch e glamour,

Da dança das águas no Bellagio,
Há um passo de Roma e Grécia,
Ilumina-se uma pirâmide,

Ao sul vê se a Big Apple,
Sob os olhos da Estátua da Liberdade,
Brilha a Torre da Cidade Luz,

Las Vegas Boulevard, 
Impressiona pelas luzes,
No oasis da ilusão.

Efêmera


Por Gian Gorostiaga Campos

Eu tento te alcançar
Eles dizem que eu não posso
Eu não ouço
Eu não ouço.

Finalmente adentro en ti
Que belas curvas, que belas linhas
Minhas mãos anseiam te tocar
Eu não aguento
Eu não aguento

Esse teu joguinho de luz e sombra
Me deixa louco
Você me ilumina alguns dias
Me deixa nas sombras nos outros.

Eu poderia ficar aqui durante horas
te admirando sem tocar-te.
Mas devo deixar-te
pois a próxima obra está me chamando


Não é uma questão pessoal
É apenas uma questão de arte.



Eu escrevi essa poesia ha alguns dias quando fiquei doente. Estava pensando em alguma experiência estética que tenha me emocionado para este trabalho. Lembrei de uma exposição no MASP onde eu vi uma obra de Claude Monet "A Canoa Sobre o Epte". Eu tinha visto essa imagem em um livro quando era criança. E na hora me emocionei muito por ter visto finalmente uma obra que eu já conhecia e achava muito bonita. Na minha cabeça de criança na época, pensava que as imagens que eu via nos livros nunca estariam na minha frente, tão perto que daria vontade de tocá-las.
Mesmo tendo uma plaquinha e um segurança que me dissessem que eu não poderia tocá-las. Admito. Eu toquei na obra e sai correndo.
Finalmente me senti como uma criança de novo.


quinta-feira, 20 de março de 2014

A FANTASIA NÃO APENAS VIVE COMO BATALHA

por Manuela Carvalho

Quando se cresce lendo “Dragões de Éter” (Raphael Draccon) e fazendo maratonas de “O Senhor dos Anéis” (Peter Jackson) não é difícil de imaginar a si no lugar da Bradamante ou do Legolas, lutando batalhas épicas, com  uma espada em uma mão e o destino de diversos reinos na outra. Uma coisa, porém é imaginar, outra é participar.

Fazer parte de um clã e ter suas próprias armas em casa não são, contudo, coisas tão raras quanto parecem, ainda mais em uma cidade como São Paulo. Originado na junção de outros três grupos mais antigos, o Draikaner é um dos mais importantes clãs brasileiros de swordplay – aquele esporte que Ken Jeong pratica em “Faça o Que Eu Digo , Não faça o Que Eu Faço”  (“Role Models”, 2008, Estados Unidos/Alemanha) -, sendo também o principal responsável pela organização do EPS, o Encontro Paulista de Swordplay, que é o maior evento do gênero do país, contando anualmente com a participação de clãs de todo o Brasil.

Explicado isso tudo, posso simplesmente afirmar que sou uma garota de sorte, pois tive a felicidade de fazer parte do Draikaner e de viver uma experiência incrível ao lado dos meu companheiros de clã e de outros 350 colegas de esporte.

No dia 28 de Julho de 2013 foi realizado o III EPS. Eu já havia me graduado pela segunda vez dentro do clã, de forma que pude participar ativamente do evento, isto é, vestida com o meu tabard (o “uniforme” do clã) rubro e ouro, com uma espada em cada mão e todo o respeito, dedicação e felicidade do mundo em outra, pude participar das batalhas medievais que ocorreram naquele julho, no Parque Villa Lobos.

Nada como sentir a excitação dos momentos que precederam minha primeira vez em campo. Havia aproximadamente 200 pessoas de cada lado, tabards de todas as cores esperando apenas a autorização dos juízes para dar início ao jogo. Os dedos formigavam, os olhos se cerravam sob o sol que abençoava aquele dia glorioso na vida de tantos jovens, cada músculo se tensionava esperando... E o apito soou.

Comandos eram dados enquanto uma massa colorida se organizava de acordo com as instruções gritadas. Ponta de flecha! Boca de lobo! Você vai de batedor. Dá suporte pra eles lá. Formações se faziam e desfaziam, como nuvens no céu; espadas se cruzavam com lanças, escudos, adagas, machados, arcos e flechas, arma contra arma, arrancando braços, trespassando corpos, decepando pernas.

Uma. Duas. Três batalhas. Draikaner, Magnus Legio, Graal, Falcões, Aço Negro... Todos absolutamente unidos por um só sentimento puro, etéreo: a felicidade. E num rugido disforme e polifônico tudo se encerrou, pois os lemas dos clãs eram gritados com toda a força que nos restava, para mim apenas um interessava: o lema do meu clã, dos meus amigos, da minha família por opção


IN GLADIUS VICTORIA EST.

O DIA QUE O MURO CAIU

Por Vicente Evandro

“Se Tom aprendeu alguma coisa, foi que não se atribui um grande significado cósmico a um simples evento terreno.” A não ser que o evento seja o The Wall de Roger Waters.
Então eu pensei que iria gostar de ir a um show.
Era cedo quando partimos para São Paulo encontrar com alguns amigos, num domingo que poderia ter sido como qualquer outro. Ao chegar nos portões do Morumbi a conversa não podia ser diferente. Cada um tinha suas anedotas e experiências com uma das maiores obras da humanidade. Isto porque The Wall não é apenas música. É Arte pura de um gênio.

Por ter crescido ouvindo Pink Floyd, as expectativas para o show eram grandes. Já tinha visto o filme algumas vezes, ouvido o álbum milhares de vezes, tinha visitado o Rock’n’Roll Hall of Fame em Cleveland e visto uma pequena exposição sobre o The Wall onde tinha uma parte do muro. É incrível pensar como uma obra dessa magnitude surgiu de um incidente entre Waters e um fã e se tornou uma forte manifestação contra os desmandos do poder, se mantendo sempre atual.

Voltando ao dia do show, a espera foi longa. O que contribuía para o aumento da expectativa. O que não deixa de ser notável para um show em que o setlist é conhecido e já se sabe mais ou menos como que vai se desenrolar, afinal é uma obra conceitual que deve ser realizada no todo.
O céu escureceu. As luzes se acenderam.
As luzes se apagaram. Frenesi. Waters entra e sorri.
A expectativa era muito grande e, no entanto, não chegou nem perto do que realmente foi a experiência. Experiência. Isto porque The Wall não é apenas um show, é um espetáculo de perícia técnica audiovisual impecável e meticulosamente calculado.
Foi lá pelo final da primeira parte que se Tom estivesse por lá, teria aprendido que se pode atribuir um grande significado cósmico a um “simples” evento terreno.
Foi lá pelo final da primeira parte que um muro acabava de ser levantado e outro caía. Quando saí do transe, me dei conta de que estava em lágrimas. Olhei para os lados, vi meus amigos e outras pessoas na mesma situação.
Na segunda parte, a mesma hipnose tomou conta. É notável como o espetáculo mexe com todos os sentidos e toca em emoções que antes não achava ser possível vivenciar em tal lugar.

TEAR DOWN THE WALL! TEAR DOWN THE WALL!

E o muro caiu, com todos seus tijolos. Caiu sobre meus amigos, meu irmão, sobre mim e sobre todos nós. Catarse. No fim, o sentimento era o mesmo. Foi a purificação experimentada por todos que ali estavam.

terça-feira, 18 de março de 2014

Versalhes.

VERSALHES - POR LUCAS DE MICHELI RUAS


ó Versalhes, ó Versalhes, que belo és
sua sala de espelhos me guia.
sua dimensão me impressiona.

ganhava eu um jogo de computador,
que abriria meus olhos para uma arte rica,
não importando minha idade,
que encheria meu repertorio indolor.

os anos se passam,
e te vejo em corpo e forma,
que abriria meu espírito para sempre,
de modo a encher meus olhos de água.

ó Versalhes, ó Versalhes, que belo és
se nao fosse um aparato inovador,
jamais sentiria sua magnitude e esplendor,
que me chamou para um futuro com mais amor.






domingo, 16 de março de 2014

A Serra



                                                                                                        Por : Catharina Scarpellini Zema




A estica vem da palavra estese, que significa percepção que surge com os sentidos. A experiência estética por ser conduzida por sensações e movida por nossos sentidos é desprovida de lógica ou razão. O sentir estético é uma experiência e não um conceito, e acontece quando entramos em contato com algo novo e belo , e não só somos possuídos por essa beleza, mas passamos a fazer parte dela, além de nosso intelecto, toda a nossa pessoa é afetada, o que estimula todo o tipo de sensações e brinca com nossos sentidos que nos conduz a um esquecimento de nós próprios e nos coloca em um estado de leveza em meio as varias sensações. Essa experiência acontece por acaso e é diferente para cada individuo e não pode ser prevista.
Uma das minhas experiências estéticas aconteceu aos 13 anos quando fui cruzar o Parque Nacional da Serra da Canastra que se situa no sudoeste de Minas Gerais, e é composto por várias fito fisionomias do bioma Cerrado com predomínio de vários tipos de campos e uma  variada beleza cênica com grandes paredões de rocha onde existem várias e belas cachoeiras. Ao descer próxima a nascente do rio São Francisco em meio há um enorme e maravilhoso campo cercado por serras, me dei conta da imagem paradisíaca que aquela nascente se encontrava. Ali em meio a natureza e a brisa leve e pura me faltou sentidos para poder viver aquele momento, foi muito intenso, mas passageiro , onde quase pude flutuar e por alguns segundos me afastei da noção de realidade e da razão , foi um momento em que eu apenas podia sentir e desfrutar de todas aquelas sensações que estava vivendo .